quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
deixa o doce pra amanhã
Postado por Larissa Lima às 19:53 2 comentáriossexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O Chaplin das Crianças - L.F. Veríssimo
Postado por Larissa Lima às 19:08 1 comentáriosNão faz muito tempo, passaram “Tempos Modernos” aqui, outra vez, e a gurizada foi ver e gostou.
Achou engraçado engraçado, não apenas engraçado, curioso.
Você e eu não temos mais condições de julgar um filme de Chaplin.
A obra de Chaplin faz parte do nosso patrimônio cultural e mental. A gente a reverencia mesmo sem ver. Gosta por obrigação.
Mas as crianças não tinham nenhum compromisso com Chaplin, mal sabiam de quem se tratava, e gostaram porque gostaram. E eu suspirei aliviado.
Uma vez, tínhamos visto juntos uma coleção de curtas metragens antigos — inclusive do Chaplin —, e a reação geral fora de profunda chateação. Minha também, só que eu no podia confessar. E saí da experiência com sombrias premonições. Acabara-se a inocência do mundo.
As pessoas se preocupam com o efeito da violência na sensibilidade das crianças, mas minha preocupação é um pouco diferente. Tenho medo que esta seja uma geração à prova de deslumbramento. Uma geração dessensibilizada não pela desumanidade que a técnica moderna transmite, mas pela própria técnica moderna. Certamente, não eram menos violentas do que os seriados de TV de hoje as comédiaspastelão de 50 anos atrás, quando pastelão era apenas uma das muitas coisas que as pessoas levavam na cara. Mas a novidade do cinema — a primeira arte elétrica, o primeiro divertimento industrial — prevenia contra a banalização da violência. Todos os saltos dados pela técnica do entretenimento e da informação desde então nos encontraram dispostos ao deslumbramento. Lembro-me que quando a televisão mostrou as primeiras tomadas da Lua, diretamente da nave que a circundava, ficamos, os adultos, de boca aberta, emocionados, na frente da TV até que uma das minhas filhas entrou na sala e perguntou quando aquilo ia acabar, que ela queria ver um desenho animado.
Sinto muito que meus filhos não terão mais nada com o que se emocionar no desenvolvimento da técnica de divertir, mas talvez seja melhor assim. A técnica não quer dizer mais nada para quem nasceu na era da televisão. A técnica já chegou a Marte e não tinha nada lá, grande coisa. Mas a simples astúcia do corpo de um comediante, a sabedoria de um gesto feito há 50 anos e mal preservado em celulóide, ainda é compreendida e ainda faz rir. Talvez o fim do deslumbramento com a técnica seja o começo da verdadeira inocência, depurada e receptiva, e muito mais bem informada do que a nossa.
A tentação da pieguice é grande, nesta hora em que fazemos elegia não só de um grande artista como da nossa inocência superada, a melhor maneira de evitá-la é elogiar aquilo que, em Chaplin, não pertence à nossa geração, mas a transcende. Quem, como eu, se criou numa época em que Chaplin já era mais uma legenda do que uma celebridade do cotidiano, herdou mesmo assim todas as conotações que cercavam o seu nome, desde o primeiro encanto com o cinema da geração que nos precedeu, até a solidariedade política com o homem internacional e perseguido. Mas o que transcende a nossa época e hoje encanta as crianças é o que importa em Chaplin. O Carlitos vagabundo que para duas gerações simbolizou a vítima de um mundo cruel, revisto com outros olhos, não se mostra tão vítima assim. Carlitos dava tanto quanto apanhava, e ficava com a mocinha mais vezes que a perdia. A máquina não derrotou Carlitos, como a técnica não dessensibilizou nossos filhos, e a permanência de Carlitos é a prova das duas coisas.
Carlitos era um irreverente, tão irreverente quanto Groucho Marx, embora sem as suas frases, mas a minha geração insistiu em sentimentalizá-lo até o desfiguramento. Desconfio que as crianças das nossas crianças rirão de nós tanto quanto de Carlitos quando, no futuro, revirem os seus filmes e as nossas elegias.
Banquete com os deuses
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Liberdades - Luis Fernando Ver!ssimo
Postado por Larissa Lima às 15:42 0 comentáriosquarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Esse não é mais um texto pra você
Postado por Larissa Lima às 18:39 0 comentáriosEsse seria mais um texto pra você.
Mas não, eu não vou me desperdiçar.
Não que você leia. Mas isso sai de mim e passa a ser do mundo. De ninguém.
E eu não vou me desperdiçar.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
onde estão suas pessoas?
Postado por Larissa Lima às 18:41 1 comentáriosonde estão suas pessoas? onde estão suas pessoas?onde estão suas pessoas?
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onde estão suas pessoas?
suas pessoas, onde estão?
pessoas
onde?
aonde?
onde estão suas pessoas?
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
pela simplicidade
Postado por Larissa Lima às 15:54 2 comentários
Eu não vim falar de amores e relacionamentos
eu não vim falar de mim
eu não vim falar de alguém
eu vim falar de um alguém
um alguém que deita com as costas no chão
ou em um banco qualquer
em um lugar qualquer
e olha pra cima
um alguém que olha e vê, mais uma vez, por meio daquele raro azul de céu, o quanto se é pequenino, pequenino, pequenino.
pequenino.
O quanto se está só. O quanto se é só.
Não adianta você me dizer que tem alguém. O alguém também tem um outro alguém. Tem alguém para abraçar, para dividir, para amar.
Mas, ainda assim, este alguém, assim como todos os 'alguéns', está só.
Quando ele deita em um chão, em num banco, em um colo, ele está só.
quando ele olha para cima e vê tudo o que é e tudo o que gostaria de ser, ele está só.
quando olha para cima e vê a si mesmo por dentro, ele está só.
quando olha para cima e não entende nada, ele continua só.
quando olha para cima e fecha os olhos e deixa ser levado pra longe, pro lugar onde só as boas lembranças - aquelas mais simples e mais lindas - permite que se deixe levar. ele pode não estar só, mas é esse o jeito e o sujeito que ele é. só.
Ele carrega em si todos os poetas com todos os seus sonhos do mundo - todos os sonhos do mundo.
Mas assim como todos os sonhos, ele carrega em si toda a melancolia, todos os sorrisos e todas as lágrimas, todo o amor e toda a indiferença, toda leveza e toda revolta.
leveza...
um alguém que clama pela leveza.
pela simplicidade.
simplicidade de ser.
simplicidade nas relações.
s.i.m.p.l.i.c.i.d.a.d.e para viver
para se deixar viver.
Para haver o que viver.
Porque ainda que haja marcas, vale.
ainda que haja lágrimas
ainda que haja ignorância
ainda que,
vale.
mas vale com verdade.
então, sejamos também pela verdade.
um alguém de verdade, para ser de verdade.
Para as pessoas que me mostraram que é possível existir amizade. E que hoje, me fazem enxergar que é possível amar com simplicidade. E que se tornaram únicas. Talvez, por serem únicas mesmo.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
hoje, amanhã ou sempre.
Postado por Larissa Lima às 21:11 1 comentáriosser vivida.
ser sentida.
Resignifica-la todo dia.
todo momento, a cada instante.
Porque amanhã o poeta russo que não era russo já disse: se você parar pra pensar, na verdade não há.
Essa vida sou eu que faço
O valor sou eu que dou
E, você, vem comigo que a gente descobre o que tem depois do oceano.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
minha manga espada
Postado por Larissa Lima às 21:37 1 comentáriosUma manga cortada em pedaços em um prato. Parece bobagem, mas é justamente dessa parte, a parte que não se lambuzou toda naquela manga, a parte obedientemente cortada em pedaços, é essa parte que salta à mente quando a gente quer dormir mas não consegue. Essa e outras mais doloridas e mais complicadas do que uma manga cortada. Mas essas, ao longo de alguns anos e depois de muitas noites molhando o travesseiro de medo, eu consegui deixar no lugar onde as lembranças, de fato, pertencem – no passado. É certo que quando elas trazem essa cicatrizes fica mais difícil, mas a gente também consegue.
Mas depois de um tempo chegando sempre nesse ponto onde se começa a achar que tudo está errado, é que se começa a enxergar o tamanho da bobagem disso tudo. A gente lembra que só se tem vinte e dois anos e as coisas não precisam estar certas ou erradas. Talvez nunca precisem. Pode demorar um pouquinho mas a gente sempre descobre que não vai ter nada errado. Nada errado comigo, nada errado com o outro, nada errado com o mundo, coitado. Nada errado em gostar de dia de chuva, de banho quente - depois de um banho de chuva, de séries e filmes bobos, de coca com gelo, de coca sem gás, de música no banho, de andar descalça na praia, de bicicleta na rua, de matar aula no cinema com os amigos, de ir ao cinema sozinha numa segunda-feira à tarde, de chorar no banheiro, de sorrir quando não pode, de não ligar pra gênero e pronomes, de pensar demais e ser inconseqüente, de não saber abrir latas de sardinha, dar estrelinhas e assoviar, de não saber dizer o que sente e ficar contente, de pensar muito, mas ser inconseqüente. Que há nada errado em não acreditar em muita em coisa e duvidar de todas elas, menos do silêncio. Que há nada errado em gostar do silêncio. Em escutar o silêncio. Eu gosto do silêncio.
É que no silêncio eu acredito que consiga enxergar as pessoas, que eu consigo enxergar a verdade, se existe alguma. Talvez porque seja no silêncio que eu consigo sentir,de novo, aquele gostinho doce da minha manga espada de um sábado de manhã.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
sejamos a favor do agora.
Postado por Larissa Lima às 19:45 1 comentáriosquerer mostrar e não ter o que esconder
querer ter e não ter o que se quer
querer
ter
querer
se alguém me perguntasse hoje o que é a vida pra mim, eu diria, talvez, que ela é esse querer. Esse eterno querer.
Ontem ela tinha gosto de manga; Hoje ela tem gosto de desejos.
Hoje
O amanhã já se sabe que não existe. O ontem não mais interessa. Mas o hoje, o hoje também não é tão real, tão presente, tão pulsante. O hoje pode ter várias faces;
Pode ter sorrisos e pode ter lágrimas;
Pode ter paixão e pode ter indiferença;
O hoje pode acabar antes mesmo que chegue amanhã.
Antes mesmo que você note que ele já se foi.
E ele vai.
Por isso sejamos a favor não do hoje. Mas do agora.
Agora eu quero. agora eu posso. agora eu desejo. agora eu sou.
Agora eu tenho vontade de escrever. agora eu quero ir até você e te dar um beijo daqueles bregas de cinema.
agora eu quero comer açaí com leite em pó.
açaí, guaraná. E leite em pó.
Leite.
Em pó.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
voltar a ser gente. Ou vice-versa
Postado por Larissa Lima às 17:31 1 comentários
voltar a ser macaco
a ser simples
não pensar
não escolher
ser
voltar a ser macaco.
não escolher?
não querer?
voltar a ser macaco?
voltar a ser gente.
gente que não se vê
gente que se esconde
gente que é pouca gente.
ser macaco ou ser gente
quem é mais animal?
quem é mais cruel?
quem diferencia?
quem agride sem instinto?
quem agride sem razão?
quem agride com a tal da Razão?
e quem mente? quem engana? e quem desmente?
macacos se arrependem?
macacos
gente
macacos dão a mão?
macacos têm amigos?
abraço eu sei que os macacos dão.
gente
macacos
aprender a ser gente
aprender com os macacos.